Há uma discussão já velha no meu grupo de RPG, se o D&D 4E é RPG ou Wargame.
Particularmente acho essa discussão idiota (não estou querendo ofender ninguém, que fique claro), pois a interpretação depende única e exclusivamente do DM e dos jogadores, não existe esse negócio de "sistema que favorece interpretação".
Bem, vou explicar aqui o que eu entendo por interpretação!
Interpretação é criar um background (elaborado ou não) e uma personalidade para seu personagem, esse conjunto de background + interpretação vai então determinar (pelo menos no começo da campanha) como o seu personagem interage com os NPCs e o cenário e como ele reage às situações que o DM coloca na campanha.
O background é algo que não vai mudar ao longo da campanha, já que é a história pregressa do personagem, enquanto a personalidade provavelmente mudurá de acordo com as experiências que ele tiver, por exemplo se o personagem era inocente e idealista no começo da campanha e foi diversas vezes traído e enganado por conta dessa inocência e desse idealismo, nada mais natural que ele se tornar cínico e desconfiado com o decorrer das aventuras.
Pois bem, NENHUM desses aspectos citados acima depende de sistema de regras, mas dependem sim da criatividade do DM e dos jogadores para criar bons backgrounds e personalidades para os NPCs e personagens, além da disposição deles em encarnar os NPCs e personagens, falando como eles falariam, pensando como eles pensariam e reagindo às situações como eles reagiriam.
Cabe ao DM e ao grupo optarem (ou não) por incluir interpretação em suas aventuras e campanhas, podemos citar como exemplo o sistema Storyteller, que foi criado com a intenção de favorecer a interpretação, mas a grande maioria dos grupos não comprou a idéia do horror pessoal (em alguns casos, nem mesmo da politicagem), conheci muitos grupos de Vampiro: A Máscara (e participei de alguns) cuja crônica se resumia a enfrentar semanalmente um inimigo diferente (Sabá, Lupinos, Magos, Fadas, Aparições, Caçadores, etc), bem ao estilo de seriados de aventura com o clichê de "monstro/vilão da semana".
Outro ponto que acho que deve ser mencionado é o de sistema de combate, alguns sistemas como o GURPS favorecem um combate realista, no qual atacar a cabeça ou joelho de um oponente é mais difícil mas oferece vantagens extras em caso de acerto, como causar mais dano, atordoar o oponente, diminuir sua mobilidade em combate ou até matá-lo com um único golpe em casos de sorte nos dados; já outros sistemas vão tratar o combate de forma mais tática, mais épica ou mesmo de forma mais superficial.
Cada uma dessas formas de abordar o combate tem suas vantagens e desvantagens, devendo a forma mais adequada ao grupo ser escolhida de acordo com o que o DM e os jogadores querem em sua campanha. Se eu quero uma campanha de combates realistas adoto o GURPS, se quero combates táticos adoto o D&D, se quero combates épicos adoto Scion, se quero combates rápidos adoto 3D&T.
Mas nenhum desses sistemas de combate favorece ou prejudica a interpretação, eu posso interpretar numa campanha de GURPS com combates em hexágonos e usando a tabela de partes do corpo, eu posso interpretar numa campanha de D&D com mapas e miniaturas, eu posso interpretar numa campanha de Scion descrevendo manobras e ataques épicos contra inimigos titânicos, eu posso até mesmo interpretar em 3D&T lutando contra o Mecha do Mestre Arsenal, ou eu posso ainda NÃO interpretar em nenhuma dessas campanhas e apenas rolar os dados durante as sessões.
Já disse inúmeras vezes e continuo dizendo: Interpretação não depende de sistema de regras, depende apenas da vontade do DM e dos jogadores.
Renato!
ResponderExcluirConcordo com você em gênero, número e "degrau".
Apenas uma ponderação, o fato do personagem ter um background não significa que isso promova o roleplaying, mas se ele usar esse BG de alguma forma isso fica legal.
Por exemplo na minha campanha atual, um jogador fala Goblin, e no background dele ele estabeleceu que aprendeu a falar esta lingua enquanto esteve preso e escravisado pelas criaturas. Com esse background ele sempre age com certo ódio contra goblins.
Ele fez um BG para justificar algo na sua ficha que reflete num comportamento específico em situações de combate.
Acho que essa é uma dica legal que pode ser dada.
Abs.
Nerdcore
Cara, o papo foi longe!!! KKKK. Tchê é o seguinte ( espero que agora tu entenda o que eu quero dizer) Interpretar é tudo isso que voce disse, e concordo plenamente que não depende de sistema, mas que alguns sistemas estimulam ou não isso. Foi como o NC disse no blog dele em relação as porcentagens. Sendo bem objetivo, de que forma você quando personagem é premiado para evoluir em D&D e em outros sistemas, como Trevas ou Storyteller? Entendeu o que eu quis dizer? Foi como a brincadeira que fiz quando disse "vamos queimar a floresta toda, já que como arvores são vivas e em D&D matar qq coisa viva da XP, uma floresta deve dar um XP legal" Lembra dessa brincadeira que fiz numa sessão de jogo?
ResponderExcluirMais uma vez, sistema é apenas uma ferramenta de padronização, quem define o RP são os jogadores e o mestre.
Diogo, desde o começo que eu entendi o que você quis dizer =P
ResponderExcluirEu apenas discordo de alguns pontos, mas isso é da vida, se todo mundo concordasse com tudo a vida seria mais pacífica, mas também seria muito mais chata =P
Mas fica o aviso: se dormir em porta de covil de combold, vai acordar na panela =P
Cara, ia comentar aqui mas terminei comentando no nerdcore.
ResponderExcluir=P
Mas vamos dar uma idéia... Meu personagem de 4e é praticamente igual a qualquer outro warlord de 4e, em termos de ficha, e a descrição do cenário se resume a uma cidade-suruba onde todas as raças convivem harmoniosamente.
Que p*rra de background eu vou bolar? A criação de personagens plastificou a porqueira, não dá idéias (nem permite que eu reflita minhas idéias de background em termos na ficha), o cenário é inexistente. Os únicos cenários lançados se focam mais em dar mais poderes que em descrição propriamente dita!
É mais divertido jogar como wargame que montar background plastificado/tosco.
Compara com 3.5, teu personagem clássico, o gnomo nazista. Uma mudança simples na combinação raça/classe óbvia produziu um personagem totalmente original com um background fodasticamente interessante. Agora faz a mesma coisa no sistema dos combos prontos.
Quando tem 4e de novo? Quero bater em texugo (no teu lugar, eu tinha matado pelo menos um PC naquela última sessão).
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirLucas não reclama. Achei renato bem coerente. Imagine a cena: os combolds mandaram um grupo de batedores que nos pegaram de surpresa e os da "toca de combolds"(:P) mandaram um esquadrão que acharam poderosos o suficientes para acabar com o grupo.
ResponderExcluirRenato foi justo, mandou 1 oponente por cabeça (poderia ter mandado até 2 por cabeça que eu acharia justo) e foi justo nas rolagens de dados e ações do grupo pela forma que atacaram.
Acho que o que deixou a galera mais "P" da vida foi que eu e tiba ESTAVAMOS JOGANDO VIDEO GAME DE PAPEL. Não há problemas em dormir na entrada de uma dungeon desde que SE FAÇA DIREITO.
Na boa lucas tu acha que eu sou TÃO BURRO a ponto de dormir em proximo ao acampamento inimigo EM CAMPO ABERTO SEM MONTAR NENHUMA ARMADILHA??? Acha mesmo que eu iria fazer isso em uma "situação" normal??? Basta lembrar como o anão e o gnomo da tua aventura fizeram.
Ah só mais uma coisa: Lucas tu é um mestre assassino, concientize-se disso. É que nem o A.A o 1° passo é aceitar :P!
Pessoal...sem sombra de dúvida o DnD 4e não é o sistema mais "amigável" para Roleplaying, mas acho que as pequenas coisas que dão personalidade (Role) ser "esquecidas". Por exemplo.
ResponderExcluirNa minha campanha atual o meu irmão joga com um Dragonborn Warlord e tem o bafo de trovão como poder racial. Certa vez ele foi fazer um teste de stealth e tirou um 1 no dado, poderia ter falado que ele simplesmente fez muito barulho a andar, mas preferi dizer que ele "deu um arroto igual a um trovão" enquanto tentava andar silenciosamente, desse momento para frente o personagem dele passou a ter esse "perk" de arrotar igual um trovão de vez em quando.
Pensem sempre nos detalhes! São a diferença entre um jogo qualquer e uma aventura/personagem memorável!
Lucas,
ResponderExcluirO Keep on Shadowfell é uma aventura basicamente de dungeon crawl, mas tem espaço para interpretação, só que como o objetivo era jogar uma sessão de carnaval, uma "uan xóti", eu não quis explorar roleplay e background.
Mas vou dar um exemplo de como a interpretação pode afetar a história e de quebra dar um spoiler para vocês! Na cidade tem um espião do culto, que estava na taverna na hora que um dos Anões falou do culto e fez a taverneira ter um ataque histérico, devido a esse fato os inimigos na dungeon sabem que há um grupo de aventureiros na região e vão estar alertas quando vocês descerem na dungeon, o que vai praticamente impossibilitar que vocês peguem os inimigos de surpresa e caso não superem cada encontro com rapidez correm o risco de enfrentarem dois ou mais grupos de monstros numa mesma sala.
Quanto ao Gnomo Nazista (saudades =P) dá pra fazer isso também na 4ed, basta sair dos "combos prontos", se você joga com um Halfling e escolhe Rogue como classe já tá combado "desde o berço", mas se você faz um Fighter vai ser um personagem "mecanicamente fraco" porém com um background interessante e muita possibilidade de interpretação.
A qustão é que se voce sair do combo VOCE MORRE na 4.ed!!!! Com personagens combados quase morremos umas 2 vezes!!!!
ResponderExcluirTudo bem que só usamos os PH, mas mesmo assim...
Diogo,
ResponderExcluirVocês quase morreram porque não agiram em grupo, não lutaram com estratégia.
A aventura foi feita para 5 PJs, o grupo tem 6, o que significa que vocês deveriam ser capazes de superar os encontros com facilidade.
Porém os Combolds são mais estrategistas que vocês =P