segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dungeons & Dragons 4th Edition - Desabafo

Eu nunca fui muito fã do D&D, quando conheci o RPG lá pelo final dos anos 90 o jogo estava naquele período entre o AD&D e a 3ª edição, quando a Wizards tinha comprado a TSR e os profetas do apocalipse ficavam dizendo que o jogo ia acabar ou que Magic: The Gathering seria o novo cenário do AD&D.

Joguei pela primeira vez quando a Devir lançou o Livro do Jogador 3.0 em português, o grupo começou a jogar quando ainda nem tinham saído o Livro do Mestre ou dos Monstros, a gente basicamente enfrentava goblins e vilões construidos como personagens. Eu cheguei a comprar o livro e comecei a ler, mas confesso que nunca passei das habilidades do monge, tentei várias vezes ler o capítulo de combate e sempre desistia. Só li mesmo as classes conjuradoras e o capítulo de magia.

Adorei os livros de cenário publicados em português, especialmente o do Forgotten Realms, sempre me diverti muito lendo sobre a história, as regiões e os vilões de cada cenário, eu sempre fui o cara do grupo que sabia tudo sobre o cenário e não entendia nada das regras, mas como nunca me animei para mestrar D&D isso nunca chegou a ser problema. Como jogador eu sempre seguia linha do "quero fazer tal coisa, tenho que rolar o quê mestre?", aí rolava os dados e esperava o mestre dizer se tinha atingido meu objetivo ou não.

Quando a 4ª edição foi lançada eu fui um dos que torceu o nariz, mas aos poucos mudei minha opinião graças principalmente ao Blog e Podcast Rolando20, comprei os livros básicos e pela primeira vez eu me animei para mestrar D&D, infelizmente nunca conseguiu começar uma campanha, seja por falta de tempo ou desacordo com os jogadores sobre o tipo de campanha a ser mestrada, mas consegui mestrar algumas one-shots em eventos e gamedays.

Quando decidi abraçar a 4ª edição eu estabeleci como diretriz dar preferência a material voltado para os jogadores (Player Handbooks e Powers) e materiais descritivos (como os Campaign Guides), além de bestiários voltados para tipos específicos de monstros (como o Open Grave e os Draconomicons).

Estava tudo muito bem até o lançamento do Essentials, eu entendo o pensamento da Wizards como empresa, querendo renovar o seu público, vender mais e blábláblá, e não teria me importado com esse material se ela tivesse mantido o que divulgou, que o Essentials seria uma linha fechada de alguns poucos produtos para iniciantes.

Tá certo que não virou um 4.5 como os mais apocalípticos previam, mas também está longe de ser uma linha fechada para iniciantes, basta dar uma olhada nas descrições dos próximos produtos do D&D, entre eles está o The Shadowfell, seguindo a linha de livros sobre planos, mas enquanto o Manual of The Planes, o Astral Sea e o Elemental Chaos são livros, o Shadowfell vai vir em uma caixa com cartas e tokens (marcadores de papel para substituir miniaturas).

Além disso, vários livros passarão a ser publicados no formato de paperback (capa mole), o Heroes of Shadows (que é basicamente um PHB 4) terá 320 páginas e será publicado em paperback. Putz, 320 págs. em formato capa mole é uma puta falta de sacanagem.

Sem falar na mudança da postura com relação aos cenários, inicialmente foi dito que cada cenário teria apenas 3 livros, que seriam um Campaign Guide, um Player's Guide e uma Aventura, com os demais materiais sendo genéricos, e que cada ano seria dedicado a um cenário diferente. Tivemos Forgotten Realms em 2008, Eberron em 2009 e Dark Sun em 2010, para 2011 aparentemente será Neverwinter, isso mesmo um Campaign Guide dedicado a uma cidade de um cenário que já foi publicado.

Tem também a lambança do D&D Insider, que foi vendido como uma ferramenta de jogo online, depois se tornou somente um recurso de criação de personagens, monstros e encontros, e agora está tentando se tornar o que devia ter sido desde o começo.

A impressão que eu tenho como jogador e como consumidor é de que a Wizards está totalmente sem rumo e isso me incomoda bastante, eu gosto de ter uma sensação de segurança, de saber que meu jogo vai ter inovações mas vai continuar sendo o meu jogo. Tá eu sei que ninguém vai me obrigar a comprar esse novos livros em formato diferente e nem vai entrar na minha casa para confiscar meus livros antigos, mas essas mudanças incomodam muito, e não me refiro às mecânicas novas ou coisa parecida, me refiro sim às mudanças em como o jogo é conduzido.

A Green Ronin faz um trabalho excelente com seu Mutants&Masterminds e a White Wolf com seu World of Darkness, os novos lançamentos sempre vêm com novas opções para personagens e com inovações nas mecânicas de jogo, mas elas não descaracterizam o jogo, a própria Wizards conseguiu fazer isso com a linha Star Wars Saga, mas com o D&D isso não aconteceu.

Eu estava bastante empolgado com o Heroes of Shadows e com o Shadowfell, mas o fato de serem respectivamente paperback e caixa tiraram toda a minha empolgação. Não sei se vou largar o D&D 4ª edição e adotar outro sistema para jogos de fantasia ou se vou solenemente ignorar os próximos lançamentos da Wizards.

Bem, esse post foi apenas um desabafo, não sou especialista em mercado editorial ou mercado de RPG e nem sou um grande entendido de D&D, na verdade acho que não dá nem pra dizer que essa é minha opinião, já que estou escrevendo isso ainda sob o efeito da decepção com o Heroes of Shadows e o Shadowfell, não que a mudança de formato de dois livros vá me fazer desistir do jogo, mas foram a famosa "gota d'água" das minhas decepções com a Wizards.

Até mais.

4 comentários:

  1. Realmente é de se preocupar com as novidades. Eu optei por acompanhar o material de D&D4 que foi traduzido pela Devir. Principalmente porque estou mestrando para novos jogadores. Estou dando preferência pelo material em português. Isso me deixa fora desses novos lançamentos ao menos por uns bons 2 anos.

    De qualquer forma, para quem vinha comprando o material em Inglês e se depara com um outro formato nas edições, é para se chatear mesmo. Vamos esperar a virada do ano.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. É Renato, sei como vc se sente, me senti assim quanbdo soube do Essentials, e até hoje me sinto assim por causa do Insider.
    Quanto ao Essentials, só tenho uma coisa a dizer: depois de o vir realmente, quis ter todos os livros e só farei personagem desses livros agora, ficaram muito bons, e o formato livrinho em box tb me apaixonou :) (só voltaria atrás com a red box, totalmente dispensavel para quem ja conhece o jogo)

    Com o Insider, não tem jeito, parece q só agora é q finalmente irão lançar o Virtual Table, e está longe de ser o anunciado, pena não ser o Brasil para podermos processá-los por propaganda enganosa.

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  4. Eu sinto o mesmo. Sem tirar nem pôr.

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