quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Darkover


Darkover é o nome de um planeta fictício e também de uma série de Fantasia Científica que o tem como cenário principal, a série foi escrita pela saudosa Marion Zimmer Bradley, autora também das Brumas de Avalon, e tem sido continuada pela Deborah J. Ross.

Quando eu era criança meu pai era membro do Círculo do Livro, uma mistura de empresa e consórcio que vendia livros a preços mais baratos para seus sócios, tenho até hoje a coleção da Biblioteca dos Escoteiros Mirins, responsável pela minha eterna paixão por mitologias variadas.

O Círculo do Livro enviava um catálogo mensal para seus membros, com sinopses dos livros disponíveis, foi nesses catálogos que eu descobri Darkover, mas meu pai nunca comprou nenhum dos livros dessa série para mim, por achar que não eram leitura para criança, apesar disso não tenho muito do que reclamar, meus pais nunca tiveram o hábito de ler mas fizeram questão de desenvolver esse hábito em mim, cresci constantemente alimentado por livros de mitologia, folclore, contos de fadas e versões infantis de clássicos da literatura, além de gibis da Turma da Mônica e da Disney, no entanto Fantasia, Horror e Sci-Fi só entraram no meu rol de leitura quando comecei a comprar meus próprios livros.

Quando passei no vestibular da UFPE há 9 anos atrás (vixe, tô ficando velho) fui presenteado com meu primeiro cartão de crédito, apesar de que era meu pai que pagava a fatura, e gastava horrores em livros, outra coisa que tenho a agradecer é que meu pai nunca se incomodava com valores altos nas faturas quando via que quase todas as compras eram em livrarias, acabei encontrando os livros de Darkover em algumas livrarias e com alguns anos de atraso consegui satisfazer minha curiosidade sobre o mundo do sol sangrentro, seus habitantes, lugares, sagas e poderes estranhos.

Darkover é uma mistura de Fantasia e Ficção Científica, ele se enquadra no que os críticos americanos (críticos brasileiros não entendem nada de Ficção Especulativa) classificam como Espada e Planeta e como Romance Planetário, cada romance da série oscila para um desses dois subgêneros.

A série começa com uma espaçonave que saiu da Terra para colonizar um planeta previamente preparado para receber colonos, mas algum fenômeno espacial desvia a nave de sua rota e a faz "naufragar" em um planeta desconhecido, séculos mais tarde o Império Terráqueo redescobre esse planeta, mas os descendentes dos antigos colonos formaram uma civilização própria, com características feudais e ao mesmo tempo tecnológicas.

Os elementos fantásticos da série são os poderes psíquicos da aristocracia que governa o planeta, os primeiros humanos em Darkover encontraram os chieri, uma raça humanóide nativa dotada de grandes poderes mentais e que se encontrava à beira da extinção, alguns dos humanos tiveram filhos com os chieri e gerações mais tarde esses híbridos formaram uma casta governante, uma nobreza feudal que se diferenciava da plebe não apenas por nascimento, mas principalmente pelos estranhos poderes com os quais nasciam.

A maioria dos romances trata do choque cultural entre a sociedade terráquea e a darkovana, a primeira materialista e tecnologicamente avançada e a segunda culturalmente avançada e tecnologicamente medieval.

A Marion Bradley sempre viu o choque entre terráqueos e darkovanos como o foco da série, mas por insistência dos leitores escreveu alguns livros sobre a Era do Caos, o período entre a chegada dos primeiros humanos e o reencontro com a Terra.

Após a morte da Marion Bradley a autora Deborah J. Ross, com permissão dos herdeiros de Bradley, continuou a desenvolver a história de Darkover, com mais romances ambientados na Era do Caos e avançando a linha do tempo para um novo período chamado por ela de Modern Darkover, quando o Império Terráqueo entra em guerra civil e se retira do planeta.

Se você gosta de ler sobre planetas, sociedades e culturas fictícios e principalmente se gosta de ler sobre poderes psíquicos, não deixe de ler a série Darkover, eu recomendo "Chegada em Darkover" que é cronologicamente o primeiro da série e também "Estrela do Perigo" e "Sol Vermelho", que são ambos narrados por terráqueos que acabam de chegar em Darkover.

Até a próxima postagem!

sábado, 7 de novembro de 2009

Diário de uma Crônica - Parte 1


No último sábado, 07/11, consegui finalmente começar uma crônica do Novo Mundo das Trevas, dos 6 jogadores que demonstraram interesse inicial apenas 3 chegaram a fazer fichas e desses apenas 2 puderam participar da primeira sessão, mas outros 2 interessados apareceram.

Eu particularmente não gosto de limitar o número de jogadores em minhas mesas, de dizer que só há X vagas, em primeiro lugar porque RPG é diversão e não algo elitista, em segundo porque você nunca sabe se um determinado jogador vai poder continuar até o final da crônica, então estou adotando uma postura de "coração de mãe", hehehe.

Bem, a crônica se passa em Nova Orleans e se foca em personagens mortais, até agora temos um matemático e um analista de sistemas, logo na primeira sessão os dois já se tornaram suspeitos em casos de assassinato, a melhor parte é que foi o azar dos próprios jogadores nas rolagens de dado para mentir para a polícia que complicou a situação deles.

Na próxima sessão teremos um detetive particular, um motoqueiro e outro personagem ainda não definido, o trabalho vai ser entreleçar as tramas desses personagens, como não estou querendo fazer algo forçado acho que vou deixar as primeiras sessões nesse clima de "tramas paralelas" e reuni-los no momento mais conveniente para a crônica.

Até o próximo diário!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Poderes PSI


Um elemento icônico da Ficção Científica e das histórias de Super-Heróis, os Poderes PSI também têm uma presença forte na Fantasia e no Horror, apesar de nesses dois últimos gêneros não conseguirem superar a Magia em termos de importância.

Eu particularmente acho os paranormais bem mais interessantes que os magos, um fascínio que eu vergonhosamente admito ter começado com a tosca novela global "Olho no Olho", de 94 se não me engano, depois ganhou uma base mais digna com as histórias dos X-Men e finalmente se consolidou com Darkover, uma série de romances de Fantasia Científica da saudosa Marion Zimmer Bradley (que Raven Queen a tenha).

Em RPG os Poderes PSI sempre ficaram em segundo plano em relação à Magia, exceto nos cenários e sistemas mais voltados para a Ficção Científica, mas mesmo nesses o psiquismo não chega a ser um elemento de destaque, apesar de que o mestre sempre pode focar a campanha em seus aspectos preferidos do jogo.

D&D - estou ansioso pelo Player's Handbook 3, que trará classes com a power source PSI e os Githzerai como raça jogável (se bem que eles e os Githyanki já aparecem no Monster Manual 1), além do cenário Dark Sun, no qual o psiquismo tem grande importância, com o PH3 será possível também explorar melhor os Poderes PSI em Eberron, talvez até uma aventura ou campanha em Sarlona contra os Inspired de Riedra.

Mundo das Trevas - várias disciplinas dos Vampiros e poderes de outras criaturas simulam os Poderes PSI, mas essas habilidades propriamente ditas, ou seja disponíveis para mortais, encontram-se no suplemento Second Sight (estou aguardando ansioso pelo meu), uma crônica com paranormais low-level desvendendo os mistérios do Mundo das Trevas é uma ideia muito atraente, existe uma série da Marion Bradley chamada Shadow's Gate que segue essa linha, mas infelizmente nunca tive oportunidade de lê-la.

Star Trek - tanto o RPG da Last Unicorn Games quanto o da Decipher dão opções para personagens com Poderes PSI, apesar de que essas opções tendem a se restringir à Telepatia e Empatia dos Betazoids e ao Mind Meld dos Vulcanos, se o mestre quiser ampliar os poderes disponíveis vai ter que recorrer à boa e velha adaptação.

Star Wars SAGA - se você ignorar o lado místico e filosófico da Força, os Jedi e Sith são simplesmente paranormais estilosos, sei que existem outras tradições de Usuários da Força além dos Jedi e Sith, mas não conheço nenhuma delas, caso o mestre queira uma campanha PSI em Star Wars basta achar uma tradição que veja a Força de forma mais científica e objetiva e se focar nela.

Mutantes & Malfeitores - de longe meu sistema preferido, para aventura de supers e de qualquer outro gênero, não possui regras específicas para Poderes PSI, basta acrescentar o descritor psíquico aos poderes do personagem, no cenário de Freedom City temos a Farside City, uma cidade na Lua habitada por uma raça de paranormais, e a República Lor, uma civilização humanóide alienígena cujos super-heróis e supervilões são todos paranormais.

Outros - muitos outros jogos e cenários de RPG apresentam boas oportunidades de jogar com paranormais, entre eles temos Aeon Trinity, Aberrants, GURPS Psiquismo, D20 Modern, True20, Blue Rose, Marvel Superheroes, DC Heroes e Savage Worlds.

Até a próxima postagem!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Bienal do Livro de Pernambuco - Decepção a cada 2 anos


Fui para a Bienal no 1º dia, como sempre faço a cada 2 anos vou esperando me surpreender e como sempre acontece a cada 2 anos eu me decepciono.

Não me entendam mal, não estou dizendo que não se encontra nada de bom na Bienal, se você não gosta de ler, se não costuma comprar livros e se não costuma ir a livrarias só pelo prazer de ir, então você vai adorar, vai encontrar livros de todos os assuntos imagináveis e certamente um ou outro que vai te fazer vencer a preguiça de ler.

Mas se você é como eu, se costuma ir a uma livraria como quem vai ao shopping (na verdade eu vou ao shopping porque tem livraria lá), se é simplesmente viciado em ler e está sempre acompanhando as novidades e lançamentos das suas áreas de interesse, então você não vai achar nada demais na Bienal de Pernambuco.

Não tem nada lá que você não encontre em uma grande livraria em qualquer outra época do ano, não tem nenhuma grande promoção ou desconto (os livros com desconto são queima de estoque das editoras ou livros usados) e não tem nenhum grande lançamento.

Ainda vale como um programa diferente para uma tarde de sábado ou domingo, mas isso é muito pouco se levarmos em consideração que a Bienal deveria ser o maior evento literário e editorial do Nordeste.

Sem falar que o evento continua não dando importância nenhuma ao RPG, temos stands de editoras e livrarias de São Paulo e do Rio Grande do Sul, mas nem sinal da Devir, da Daemon ou da Jambô, não sei como funciona a organização da Bienal então não sei se esse descaso é culpa dos organizadores do evento ou se é desinteresse das editoras, mas de qualquer forma dá para criticar a "visão de cavalo" dos donos de livraria daqui.

Com exceção da Fênix e da Livraria Cultura praticamente não tem onde se comprar RPG em Recife, a Elemental e a Magic geralmente só tem o feijão-com-arroz da Devir e livros usados, a Imperatriz e a Saraiva deixam os RPGs jogados em alguma estante e (no caso da Imperatriz) vez ou outra se vê alguma coisa nova.

As outras eu não conheço, mas o cenário de livrarias e RPG em Recife é: das 3 maiores apenas uma (Cultura) oferece um bom serviço e das 3 especializadas apenas uma (Fênix) merece esse título.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Podcasts 2: A Missão


Saudações aos 1d8 leitores do blog (pois é, essa bagaça tá crescendo, hehehe), esse post é para fazer 2 merecidos acréscimos à lista de podcasts que coloquei na postagem anterior.

Spellcast - o podcast do fórum SpellRPG, foi meu primeiro podcast de RPG, infelizmente só foram produzidos 8 episódios e não há previsão de retorno, se houver alguma alma RPGista caridosa que entenda de edição de som e tenha tempo livre, por favor, entre em contato com o pessoal da Spell. O link no começo é de uma pasta no 4shared onde coloquei 7 dos 8 episódios lançados.

Nitrocast - o podcast do Tio Nitro, com dicas sobre como criar e narrar aventuras de RPG, se você não sabe quem é o Tio Nitro (seu RPGista herege!), visite o NitroDungeon e se deleite com um universo de material que qualidade para RPG, é doidimais, hehehe.

Abraços e até o próximo post.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Podcasts


Para quem não sabe (em que mundo você vive meu filho?) podcasts são uma nova forma de mídia que está ganhando cada vez mais força e espaço na Internet, de foma muito resumida e superficial podemos dizer que é um "programa de rádio na internet".

Basicamente um grupo interessado em algum assunto grava suas conversas, que podem ser descontraídas como um papo entre amigos ou técnicas como uma matéria jornalística, e depois de editadas publica-as em um site ou blog, os ouvintes então podem ouvir diretamente no site ou baixar para ouvir no PC ou MP3 Player (ou iPod, Celular, etc).

O grande barato dos podcasts é a imensa variedade de assuntos e estilos de apresentação, basta dar uma procurada e você certamente encontrará um sobre algum assunto de seu interesse ou sobre vários deles, além disso eles são uma ótima solução para não enlouquecer no trânsito caótico das grandes cidades e para aguentar as insuportáveis filas de banco e de consultórios médicos, outra utilidade (segundo um amigo meu) é esperar tranquilamente enquanto sua namorada ou esposa se arruma para sair, hehehe.

Para dar uma checada, eu recomendo o Índice do TeiaCast, um excelente blog sobre podcasts.

Dentre os que eu ouço religiosamente quase todos são sobre RPG (pois é né, vício é vício), mas tem também uns 2 de entretenimento em geral e estou desesperado em busca de um sobre Direito.

Nerdcast - é certamente minha maior fonte de risadas durante a semana, se você me vir na sexta ou no final de semana com fone de ouvido e rindo como um retardado, existe 90% de chance de eu estar ouvindo o Nerdcast. Toda semana Jovem Nerd (Alexandre Ottoni) e Azaghal (Deive Pazos) conversam sobre temas variados, sempre sob uma perspectiva nerd e com muito senso de humor, além dos dois apresentadores o programa conta com uma grande e variada lista de participantes, sempre se revezando, dentre eles merecem destaque a Sra. Jovem Nerd e a Portuguesa, esposas dos dois principais e responsáveis pelos episódios mais divertidos.

Estilingue - um programa que apresenta "notícia ruim e música boa", conheci porque um dos apresentadores participa também do Vozes da Terceira Terra (veja mais abaixo), mas já me conquistou pela qualidade do trabalho e pela dedicação dos apresentadores. Toda semana Marcelo, Luciana e Aléx fazem um apanhado das notícias mais tocas e bizarras que circularam na Internet durante a semana, comentando-as com muito bom humor e intercalando-as com uma ótima trilha sonora.

Vozes da Terceira Terra - começa agora a longa lista de podcasts de RPG. O Vozes da Terceira Terra é um podcast semanal sobre RPG, voltado especialmente para mestres, mas com muito conteúdo para jogadores também, traz dicas sobre criação e adaptação de cenários, aventuras, campanhas e personagens. Os apresentadores são Marcelo, Netão, Rodolfo e Taz, todos sujeitos fantásticos que tive o grande prazer de conhecer na RPGCon em São Paulo.

Rolando20 - podcast (e um excelente blog também) sobre a 4ª edição do RPG Dungeons & Dragons, traz material para todos os gostos sobre D&D 4E, tem tanto episódios voltados para regras e aspectos mecânicos do jogo quanto episódios voltados para narrativa e descrição de cenários. Os irmãos Daniel Anand e Davi Salles publicam quinzenalmente o podcast e me arrisco a dizer que atualmente são os caras que mais entendem desse jogo no Brasil.

ZBCast - podcast de uma galera RPGista da região norte, ouço os caras já há algum tempo mas não sei de onde eles são (shame on me), os episódios são mais voltados para jogadores e falam de temas diversos ligados ao RPG, eu particularmente gosto da série Destrinchando GURPS. O podcast é quinzenal e conta com um grande número de participantes se revezando, mas quase sempre estão presentes Alieksiei Karamázov, Vigia e Inominável.

Irmandade Heróica - outro excelente podcast de RPG, cujos episódios sempre se focam no que os apresentadores (e eu também) consideram o foco de qualquer RPG: a interpretação de papéis. Apresentado por Douglas e Brenno, começou há pouco tempo e conta com 5 episódios até agora.

Novas Crônicas - mais um podcast recente de RPG, ao contrário dos outros não se trata de uma conversa sobre RPG, mas sim de sessões de jogo gravadas e publicadas, até agora foram lançados 3 episódios e eu estou me consumindo de ansiedade e curiosidade porque ainda não ouvi o último. Os apresentadores são Douglas (não é o mesmo da Irmandade Heróica), André, Rodrigo e Thiago.

Uma menção mais que especial deve ser feita a um podcast maravilhoso que infelizmente encerrou suas atividades recentemente.

Monacast - podcast do blog Monalisa de Pijamas, era publicado semanalmente e apresentado por Mafalda, Eubalena e Phoebe (todos pseudônimos tá), mostrava para nós homens um pouco da misteriosa mente feminina, com certeza vai fazer falta, mas trouxe muitos momentos de diversão e deixou ótimas lembranças. Os episódios estão lá no site e podem ser baixados e ouvidos normalmente, quem quiser conhecer o Monacast não vai se arrepender.

Abraços a todos os 1d6 leitores e até o próximo post.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Literatura Fantástica no Brasil

Eu sou um grande fanático por leitura, leio praticamente qualquer coisa que caia na minha mão, até bula de remédio e livro de auto-ajuda (se bem que bula de remédio é bem mais útil, hehehe).

Atualmente o vício é leitura de blogs, afinal trabalho 8 horas por dia na frente de um PC (prevejo um lindo par de óculos em meu futuro) e pra não stressar foda com chefe, supervisores, instrutores e gráfica sempre deixo uma janela do firefox aberta, quando rola um momento livre vou lá e dou uma lida em alguma coisa.

Porém minha grande paixão são os livros, adoro comprar livros, sentir o cheirinho gostoso de livro novo (ok, isso já é coisa de maluco) e ocupar meu tempo livre com "viagens" a outras terras e outras épocas, mas devo confessar com um tiquinho de vergonha que não curto muito literatura brasileira (por favor, ao atirarem as pedras não mirem no rosto).

Certamente a literatura brasileira possui grandes autores e obras, mas tem uma característica que particularmente não me agrada, ela é muito atrelada ao Realismo, dificilmente você encontrará um autor brasileiro explorando elementos de fantasia, sobrenatural, folclore e mitologia (ficção científica então, nem pensar), existem exceções é claro, como os famosos Monteiro Lobato e Ariano Suassuna e dois contistas pouco conhecidos chamados Murilo Rubião e José J. Veiga, mas exceção indica exatamente algo raro ou em pouca quantidade.

Já nas literaturas americana e inglesa ocorre o contrário, escritores cujas obras são classificadas em Fantasia, Ficção Científica ou Horror (as três principais vertentes da Ficção Especulativa) existem aos montes, andar pelas prateleiras de literatura estrangeira de uma livraria ou biblioteca é um verdadeiro prazer para mim, dezenas de livros sobre bruxas, dragões, vampiros, fantasmas, extraterrestres, robôs e outras coisas esquisitas apenas esperando para serem folheados e lidos.

No Brasil, provavelmente devido à onipresença do Realismo, a Literatura Fantástica (ou Ficção Especulativa como dizem os americanos e ingleses) é extremamente marginalizada, considerada como subliteratura e colocada pelos críticos no mesmo patamar da Literatura Infantil, o fato de que as obras mais famosas desse tipo são bestsellers também não ajuda (outro preconceito idiota da crítica literária brasileira, mas tiveram que engolir Paulo Coelho na Academia, hehehe).

Existem no entanto alguns corajosos, loucos ou idealistas que escrevem Literatura Fantástica no Brasil, entre eles podemos citar André Vianco, Antônio Augusto Shaftiel e Leonel Caldela, existem outros, mas esses são os três que conheço, então são os únicos dos quais posso falar.

André Vianco é o autor de histórias de Horror envolvendo vampiros e outras criaturas sobrenaturais, eu li apenas o seu 1º livro Os Sete e gostei, mas não achei nada de extraordinário se comparado a outros livros sobre vampiros que já li, alguns amigos meus são fãs do cara e garantem que ele melhora muito ao longo dos livros, talvez eu pegue alguns livros dele para ler nas próximas férias, estou particularmente curioso sobre a trilogia O Turno da Noite (vampiros lutando contra o crime organizado em São Paulo, megatrash é verdade, mas deve no mínimo ser divertido).

Antônio Augusto Shaftiel - autor de livros de RPG (meu eterno hobby e vício) e de histórias de Horror e Fantasia, conheço apenas a chamada trilogia dos anjos (Entre Anjos e Demônios, Assassino de Almas e Príncipe da Destruição), mas ele possui também um livro sobre vampiros e 2 sobre fantasia medieval (tipo Senhor dos Anéis e Conan). Gosto muito do cara, além de ótimo escritor é super simpático e educado (pelo menos via e-mail, afinal não o conheço pessoalmente).

Leonel Caldela - autor de RPG (dá pra perceber um padrão né?) e de fantasia medieval, escreveu a trilogia tormenta (O Inimigo do Mundo, O Crânio e o Corvo e O Terceiro Deus), li apenas o 1º que salvou minha entediante experiência aeroportuária nas férias, mas pretendo ler os outros 2 assim que possível. Não gosto muito de Tormenta (o cenário de RPG no qual os livros dele se passam), mas gostei muito do 1º livro.

Digna de nota também é a coletânea Ficção de Polpa, da editora Não Editora (adoro esse nome), são 3 volumes de contos curtos, o 1º volume se foca em Horror, o 2º em Ficção Científica e o 3º em Fantasia.

Existem outros autores, que não citei simplesmente porque nunca li nada deles, então acho que não dá pra comentar e recomendar algo que não conheço.

Por hoje é só.

Abraços e até a próxima postagem.