quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Neon Azul

Há cerca de 1 ano eu escrevi um post no Toca de Gnomo sobre Literatura Fantástica no Brasil, resumidamente eu choramingava que haviam poucos autores, mas alguns meses atrás eu descobri que a situação não é bem assim.

Tudo se deu por causa do Podcast Papo na Estante, que infelizmente só descobri quando já estava parado há vários meses, mas ainda assim vale a pena dar uma checada nos episódios.

Em diversos episódios os apresentadores falavam sobre autores brasileiros de Fantasia, Horror e Ficção Científica, dando uma pesquisada no site da Livraria Cultura eu encontrei todos os que eles mencionaram e alguns outros também.

Um dos podcasters, o Eric Novello, estava publicando um livro pela Editora Draco, que foi lançado na Fantasticon, o nome do livro é Neon Azul e é o assunto principal desse texto (sim eu dou muitas voltas até chegar ao assunto principal).

O Neon Azul é definido, logo na capa, como um “romance fix up”, e o que diabos é isso? Trata-se de um romance cujos capítulos não seguem necessariamente uma sequência, mas contam com os mesmos personagens e cenários, como se fosse um livro de contos interrelacionados, cada conto é uma história fechada e pode ser lido isoladamente, mas todos estão ligados e formam um todo maior. Confuso? É, eu também acho, mas é bem legal.

O Neon Azul do título é um bar / boate / inferninho no centro do Rio de Janeiro, aparentemente igual a muitos outros, mas ele tem algo de especial que fisga os seus clientes, cada um acaba encontrando no Neon Azul aquilo que deseja, mesmo quando não sabe o que é.

Diversão, Sexo, Inspiração, Companhia, Segurança, Respostas ou Propósito, para cada cliente e funcionário o Neon Azul dá algo diferente e recebe em troca a devoção daqueles que o frequentam ou trabalham nele.

Músicos, dançarinas, prostitutas, playboys, escritores, editores, advogados, mendigos, barmen, seguranças, drogados, evangélicos e assassinos, todos se encontram nesse peculiar estabelecimento, alguns privilegiados com seus próprios capítulos / contos e outros como presenças recorrentes nas histórias alheias.

Uma atmosfera de misticismo paira sobre o livro, mas em nenhum momento o sobrenatural é reconhecido ou renegado. Temos um advogado com um cramulhão na garrafa e um assassino que atravessa espelhos, mas se isso é “real” ou fruto da imaginação / loucura dos personagens é algo que é deixado para o leitor decidir.

O livro é uma leitura deliciosa, normalmente eu costumo devorar os livros que gosto, mas com esse acabei pela primeira vez fazendo uma degustação, lia apenas 1 ou 2 capítulos por dia, sempre antes de ir dormir.

O livro dá muitas boas ideias para RPGs que trabalham com o horror e a fantasia num ambiente moderno e urbano, não é difícil imaginar uma versão sombria do Neon Azul na qual seus incautos clientes são seduzidos e devorados por vampiros e demônios, ou uma versão onírica na qual os desejos e emoções do público servem de alimento para fadas e espíritos.

Qualquer jogo da linha do Mundo das Trevas poderia utilizar o Neon Azul, bastando apenas algumas modificações para ajustá-lo a cada um, o cenário Urban Arcana do D20 Modern e cenários baseados em séries como Charmed e Angel também cairiam bem. E não podemos esquecer de RPGs nacionais como Trevas e Era do Caos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Entre o Rato e a Aranha - Sessão 1


Domingo passado finalmente narrei a primeira sessão propriamente dita da Crônica de Lobisomem: os Destituídos, batizada de Entre o Rato e a Aranha, uma brincadeira com o dito popular Entre a Cruz e a Espada.

A Alcateia até agora tem 3 membros, um Ithaeur Sombra Descarnada, um Irraka que Caça nas Trevas e um Rahu Lobo Fantasma, em tese ainda temos uma Cahalith Garra de Sangue e um Elodoth Senhor das Tempestades, mas esses 2 jogadores não apareceram e não deram notícia, então, como tinha decidido anteriormente, me foquei em quem estava presente.

Por influência das Três Irmãs, a Alcateia escolheu como território o Campus da Universidade de Denver, repleto de Espíritos da Sabedoria, do Conhecimento e da Informação, além de alguns poucos da Natureza e da Tecnologia.

A Universidade está localizada no meio de dois territórios hostis, um ninho de Azlu (a hoste da aranha) e um ninho de Beshilu (a hoste do rato), além de ter dois poderosos inimigos por perto, a Alcateia ainda tem um outro grande desafio, que é conquistar os Espíritos da Universidade.

Durante o domínio do Idigam Gurdilag sobre Denver, a Universidade foi um dos poucos territórios que não foi tomado pela aberração e seus servos, os Espíritos da Sabedoria, Natureza e Tecnologia residentes no Campus se uniram e conseguiram resistir aos assaltos dos invasores por mais de uma década, muitos deles acreditam que não precisam dos Lobisomens (e não estão errados).

Mas os Espíritos da Sabedoria não têm esse nome por nada, eles reconhecem o valor dos Uratha por terem libertado a cidade e sabem que uma aliança pode ser proveitosa para ambos os lados, porém quando se trata do mundo espiritual nada é de graça.

Os Espíritos concordarem em reconhecer os membros da Alcateia como aliados e partilhar com eles os benefícios do Locus (um Locus de nível 3, centrado em um livro sobre a história do Colorado, que afeta todo um andar da Biblioteca Central da Universidade), desde que a Alcateia se mostrasse capaz de lidar com as invasões espirituais no território.

A primeira caçada da Alcateia se constituiu de localizar e destruir um "ninho de espíritos-aranha" que foi criado em algum ponto de um conjunto residencial próximo ao Campus, os Espíritos da Universidade acreditam que esse ninho seja formado por espíritos-aranha que fugiram do território dos Azlu para não serem devorados, mas não deixam de ser invasores por isso.

Os três Urath lutaram contra um total de nove espíritos-aranha (gafaretes inferiores, os espíritos mais fracos do livro), eles derrotaram os inimigos mas também sofreram bastante, o Ithaeur chegou bem perto da morte e teve que permanecer algum tempo na forma Dalu (quase-humano) regenerando os ferimentos antes de voltar à forma humana, o Irraka, que em tese é o menos combativo dos augúrios, foi o mais eficiente em combate, enquanto o Rahu tinha uma grande dficuldade, mesmo na temida forma Gauru, em acertar os ataques.

Mas a missão ainda não foi concluída, o ninho e a aranha-mãe não foram destruídos, portanto os Espíritos não permitiram que a Alcateia usasse a Essência do Locus, eles voltaram ao mundo físico para se recuperar e planejar seu próximo movimento.

Algumas considerações como Narrador:
  • Espíritos são muito divertidos de criar e interpretar, as regras do Livro Básico de Lobisomem para Espíritos são simples e as possibilidades são praticamente infinitas.
  • A mudança de forma é um pouco complicada de administrar, é um ponto ao qual o narrador tem que ficar bastante atento, mas acho que seja só uma questão de hábito, com o tempo devo pegar a manha disso.
  • Trabalho em equipe decididamente é fundamental, os personagens quase foram derrotados pelo tipo mais básico de oponente, mas acho que também vai ser uma questão de hábito.
A próxima sessão está marcada para o dia 19/09 e a "Mamãe-Aranha" estará esperando ansiosa pela Alcateia.

Abraços e até o próximo post!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Crônica de Lobisomem


As fichas já estão feitas e a primeira sessão já rolou, com apenas 3 dos 7 jogadores que fizeram ficha, acabei fazendo uma espécie de prelúdio com eles, narrando a chegada de cada um em Denver e a interação com os NPCs de sua respectivas tribos.

No próximo domingo teremos mais uma sessão e até agora só os 3 jogadores da primeira que confirmaram.

Já desisti de me chatear com os jogadores faltosos, que por sinal são os mesmos da antiga crônica de Vampiro, decidi que se aparecerem eu incluo os personagens na sessão e acrescento mais alguns inimigos para equilibrar o combate, mas se não aparecerem não vou deixar de narrar por causa disso, vou dar valor aos jogadores que estão dispostos a jogar.

Sei que RPG é um jogo e é uma forma de lazer, mas acho que também é preciso um pouco de compromisso, afinal eu gasto um pouco do meu tempo durante a semana preparando uma aventura e deixo de estar com minha família (ou de ir ao cinema, ou à praia) no final de semana para narrar.

Vamos ver como vai ser nesse domingo!